A FALTA DE COERÊNCIA NA ELABORAÇÃO DO CALENDÁRIO DO FUTEBOL BRASILEIRO

Por Sandro Sargentim
sargentim@fisiologistas.com

 

Fred Várias Lesões nesta Temporada

 

Nessa fase final do Campeonato Brasileiro de Futebol é comum observarmos os clubes com diversos atletas lesionados, desfalcando suas equipes e os times desempenhando um futebol de baixa qualidade.

A culpa dessa seqüência indesejável de acontecimentos esta prioritariamente voltada para a elaboração mal equilibrada das datas de disputas dos jogos de futebol das equipes brasileiras.

A equipe do Corinthians no ano de 2010 até o mês de setembro realizou 57 jogos, onde o primeiro jogo aconteceu no dia 13 de janeiro. O elenco corinthiano se apresentou e iniciou a seqüência de treinamentos no dia 4 de janeiro.

A realidade encontrada pela equipe paulista é a mesma das outras grandes equipes do futebol nacional. Nenhuma equipe que disputa o campeonato brasileiro da série A tem trinta dias para se preparar antes de entrar nas competições estaduais.

Esse problema é agravado nos anos de copa do mundo, pois as equipes param de jogar no meio do ano (durante a preparação e a disputa da copa do mundo) e o que parecia ser um alivio e poderia servir com uma inter temporada, importante dentro de uma organização de períodos de treino, podendo ser incorporado por um período transitório, se torna um problema futuro, pois no final do ano, os jogos se acumulam e as equipes e seus atletas ”pagam” o preço dessa parada.

 

Carlos Alberto e suas lesões

 

O futebol deve ser encarado menos como um show, onde se vende o espetáculo a qualquer preço de forma indiscriminada, e se tornar um esporte competitivo, organizado, onde as pessoas que elaboram as tabelas de jogos e competições entendam que os atletas ou “artistas” devem estar com seu organismo pronto para render em alto nível e com isso poder atuar de forma plena mostrando toda sua qualidade sem o risco de lesões por excesso de jogos.

Não adianta comparar o calendário brasileiro com o europeu. Os clubes de alto nível do futebol europeu jogam as competições com condições facilitadas por uma série de fatores, bem como viagens curtas, campos de jogos em ótimas condições, clubes com alto poder financeiro que podem montar plantel com diversas opções de trocas de atletas.

Já o futebol brasileiro é caracterizado de forma contrária ao panorama citado anteriormente. Os clubes a cada rodada realizam viagens muito longas, as condições dos campos de jogo nem sempre são as ideais para o futebolista, e mudança de clima é constante entre cada estado.

Contudo sobre esse tema, o principal problema esta relacionado para a falta de tempo para as equipes se prepararem.

 

Ronaldo, muitas lesões em 2010

 

No futebol europeu, as equipes conseguem cumprir pelo menos trinta dias de preparação e ao longo da temporada disputam no mínimo duas e no máximo três competições. As datas são fixas e os períodos de paradas para os jogos das seleções, são respeitados.

No futebol brasileiro, as equipes na maior parte das vezes começa a jogar dez dias após o início dos treinamentos, e o número de competições é muito alto dentro do ano competitivo.

No ano de 2010 uma equipe como o Corinthians treinou nove dias antes do seu primeiro jogo, o Palmeiras acumulou quatro competições no mesmo ano (Paulista, Copa do Brasil, Campeonato brasileiro e Copa Sul Americana), e todas as equipes são cobradas por resultados.

A cobrança de resultados é algo normal em qualquer país que se disputa jogos de futebol de alto nível, a questão é que sem o tempo necessário para a preparação bem elaborada e estruturada, as equipes não rendem o esperado e a mudança de técnicos e por conseqüência de comissão técnica é constante nas equipes.

Com isso a mudança de metodologia de treinamento, e da sua estruturação, causa erros metodológicos na aplicação das cargas de treino e a possibilidade do problema se agravar, aumentando as lesões e perda de rendimento, criando uma bola de neve com demissões, trocas e perdas sucessivas.

Um bem comum seria elaborar uma seqüência de 60 jogos anuais, onde teríamos um mês de preparação, um mês de férias, dez meses de disputa de campeonatos.

Um mês com seis jogos é o ideal para encontrar o equilíbrio de treinamento e jogo, pois com esse panorama os clubes têm duas semanas livres para treinamento, e duas semanas com jogos para melhorar o desempenho físico, técnico e tático.

Com essa realidade organizacional, poderíamos aperfeiçoar e aumentar o potencial de gerar força nas semanas sem jogos no meio da semana, e com isso poderíamos aproveitar as semanas com dois jogos para o aprimoramento da resistência específica do futebolista de alto rendimento.

Não acredito que um mês de treinamento seja essencial para o ano competitivo, ele tem sua importância potencializada, mas nem de perto ele age isoladamente no condicionamento específico dos atletas. Contudo esse mês de preparação proporciona um equilíbrio das cadeias musculares e das capacidades físicas específicas do futebolista.

Se dentro desse mês preparatório as capacidades físicas forem bem treinadas, e a equipe de preparadores físicos conseguirem trabalhar o equilíbrio muscular específico do futebolista, certamente a chance de rendimento será maior e o índice de lesões será menor quando comparado aos dias atuais.

É uma pena observar um campeonato fantástico como o campeonato brasileiro, chegar na fase final com as equipes em baixo rendimento e com diversas lesões, especialmente dos seus principais atletas . O maior prejudicado é o torcedor.

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5 comentários sobre “A FALTA DE COERÊNCIA NA ELABORAÇÃO DO CALENDÁRIO DO FUTEBOL BRASILEIRO

  1. Sargentin
    Você foi muito feliz no seu artigo, porém faço um adendo ao seu artigo. A equipe do Ceará Sporting Club, já disputou até o dia de hoje 72 partidas oficiais. O campeonato cearense é o primeiro estadual à iniciar. Creio que uma saída seria os times da série A não participar dos respectivos campeonatos estaduais, e se criar uma copa do brasileiro, como todos os time da série A.
    Forte abraço e sucesso sempre, Deus te abençoe

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  2. CAROS

    SEI QUE SÃO VÁRIOS FATORES QUE INFLUENCIAM PARA ATLETAS DE ALTO RENDIMENTO, SOFREREM LESÕES, MAS O GDE PROBLEMA ESTA NA RECUPERAÇÃO, COM REPOUSO E ALIMENTAÇÃO ADEQUADA. ALGUNS ATLETAS TERÃO QUE TER MAIS POSTURA PROFISSIONAL….CASO CONTRÁRIO OS CLUBES FICARÃO COM O DM LOTADO E O PREJUIZO FINANCEIRO MUITO GDE, ACHO BOM OS CARTOLAS E COMISSÃO TÉCNICA TOMAREM CONSCIÊNCIA DISSO.

    DEUS ABENÇOA TODOS!!

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  3. Parabéns profesoor Sandro Sargentim, cada dia mais vc tem surpreendido com seus artigos. A nova geração de preparadores físicos agradece p/ relevantes artigos publicados. Tenho vc como uma grande referência p/ mim. Ainda quero ter a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente, um forte abraço e Deus continue abençoando vc sempre.

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  4. Concordo com as palavras do Prof. Sargentim. Acho muito mal elaborado o nosso calendário de competições. Com isso nossos atletas realizam uma quantidade excessiva de jogos e somos obrigados a dosar a carga de treinamento, muitas vezes retirando um grau de intensidade importante para o ganho das capacidades físicas, visando o jogo que está por vir. Mas a priore, não temos muito o que fazer para modificarmos esse calendário e então só nos resta estudar cada vez mais sobre a profilaxia das lesões no nosso esporte.
    Grande abraço a todos,

    Alexandre Haicki
    Preparador Físico

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  5. Tudo e questão de se revisar tabus e pensar na infinidade de possibilidades, buscando solucionar todos os problemas. Não se pode ter certos pudores ao se busca resolver problemas, pois ao se andar um pouco para trás, pode se estar tomando um impulso para um salto mais longo.

    Eu mesmo já elaborei diversas propostas de calendário, nas quais se torna perfeitamente possível a seguinte configuração:

    3 a 5 semanas de férias (5 semanas como padrão, porém até 2 semanas poderiam ser comidas devido a competições curtíssimas e com pouquíssimos times pos temporada)

    6 semanas de pre temporada

    17 semanas de competições

    6 semanas para competições internacionais entre seleções

    17 semanas de competições.

    Mas para isso precisaria de uma série de revisões estruturais das competições e um investimento por parte da mídia em eventos (preferencialmente esportivos) q preenchessem as lacunas dos períodos sem competições.

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