Fisiologia na Vila Belmiro


Por Thaís Torres


Para continuar conhecendo o trabalho que é desenvolvido nos bastidores do campo de futebol pelo Brasil inteiro iremos saber um pouco sobre o cotidiano de Gustavo Magalhães Jorge, preparador físico do SUB-20, no Santos Futebol Clube.


 

Gustavo, conte um pouco sobre sua formação acadêmica e atividades que contribuem para seu trabalho no Santos.

Eu finalizei a graduação em Educação Física, em 2003, pela Universidade Paulista. Fiz especialização em Fisiologia do Exercício, pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. Logo após eu iniciei no Instituto Cohen, uma clínica de reabilitação e medicina esportiva, onde coordenei o laboratório de Fisiologia do Exercício. No Instituto Cohen conheci Dr. Renato Lotufo, que foi fisiologista da seleção brasileira e do Corinthians por anos e, por seu convite, eu iniciei como seu auxiliar na Fisiologia, no Sport Club Corinthians Paulista, no período de 2004-2007. Assim passei a evoluir neste campo da fisiologia, mas sem abandonar a preparação física. Continuei avançando nesta área, fiz mais especializações nos Estados Unidos, IMG Academy, fiz um curso da EXOS. Em 2016 fui à Barcelona, fiz um intercâmbio e ao mesmo tempo cuidei de atletas que lá estão.

Em São Paulo eu desenvolvo também atividades que envolvem Treinamento Desportivo para praticantes de diversas modalidades além do futebol.

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Gustavo, em qual área você atua no Santos Futebol Clube?

Atualmente temos um setor que une atividades da preparação física e da fisiologia, no qual eu estou, além de voltar ao campo, como preparador físico do SUB-20. Então minhas atividades reúnem a ciência fora de campo e a aplicação dela.

Como fazemos para aplicar a ciência dentro de campo e escapar dos ‘achismos’ que existiam no nosso futebol?

Tudo que eu faço dentro de campo é baseado em análises, para que haja segurança. Eu não transfiro para dentro de campo aquilo que não esteja embasado na literatura. Então em todo momento eu busco ler e absorver coisas novas que possam acrescentar em minhas atividades e, por estar em campo o tempo todo, isso não se torna difícil de ser aplicado.

Desde o planejamento de um treino, juntamente com a comissão técnica, até um atividade de recovery, aplicando o que for de mais adequado para o atleta naquele momento.

É importante frisar que não podemos mais trabalhar com achismos, é preciso ter certeza das coisas, do que se aplica, mesmo que saibamos que não exista uma verdade absoluta, por isso considero-me uma ‘Metamorfose Ambulante’, sempre mudando, sempre investindo em coisas novas. (risos)

Gustavo, se você pudesse investir tempo em um área de estudo no futebol, qual seria?

Bom, de acordo com meu contato e atividade em campo, eu desenvolveria algo na parte técnica, embasamento em modelos de jogo, em construções de treinamento, métrica de campo, tomada de decisão, podendo incluir dados de análise de desempenho, enfim, situações que trouxessem respostas para construções de sessões de treinamento, para tomada de decisão dentro de campo. Acredito que o importante sejam estudos que possam contribuir para um melhor planejamento do que se fará em campo.

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Gustavo, o que você ressaltaria como característica importante  ao observar os atletas de diferentes categorias do futebol amador?

O atleta do SUB-20, categoria juniores, precisa ter um comprometimento com seu trabalho, e com seu corpo. Isso precisa ser prioridade. Ele precisa se responsável com suas atitude no clube e extra campo, para que ele não seja um simples jogador e sim um atleta. Isso é importante para qualquer atleta de qualquer desporto.

Para as categorias iniciais eu acredito que quanto maior for o repertório motor, melhor serão as respostas no futuro. Um ponto importante é também não confundir a iniciação precoce com a especialização precoce.

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E o papel do  profissional que está acompanhando estes atletas?

Acredito que o maior dos cuidados é levar o atleta em formação a ter contato com as diversas fases e atividades sem que o trabalho se torne específico.

O contato com o treinamento já foi iniciado, mas isso deve ser bem construído, bem alinhado, com um repertório de atividades e movimentos bem rico. Pois quando ele tiver, no futuro, a necessidade do feedback motor, ele terá.

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Qual o principal desafio que você encontra com os atletas do SUB-20?

A transição dessa categoria tem suas particularidades como qualquer outra, pois esses atletas já treinam no profissional, mas o ambiente, a cobrança, mídia e torcida não são os mesmos. Acredito que um ponto importante é mostrar a eles que a profissão que seguem é movida por paixão: paixão de quem os assiste em campo, de quem compra o produto que eles apresentam. E essa transição está bastante ligada ao comportamento que eles apresentam, além do treinamento, que já vem ocorrendo antes.

 

 

Quais são as avaliações que você não abriria mão para cada uma das categorias?

Eu avalio o movimento, aqui no clube, desde os 10 anos de idade, observando a evolução e a melhora, e a construção do padrão de movimento dos atletas. Para os atletas das categorias mais iniciais eu ressalto as avaliações de maturação biológica, curvas de crescimento, individualidade genética. Para as categorias mais acima, acredito que elas devem ter um controle diário, como controle de carga, seja por percepção ou via GPS. Aqui no clube nós fazemos um controle de carga na academia em tempo real, controlando durante o exercício, por exemplo, o que pode otimizar sua tomada de decisão.

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Gustavo, você acha importante que os atletas da base utilizem o mesmo sistema tático do profissional?

Eu acho que eles devem receber toda e qualquer informação, ter um repertório vasto de movimentos. Mas acredito que isso mescle um pouco com a área técnica.

Isso varia de acordo com cada treinador, de como ele apresenta isso para seu grupo.

Aqui no Santos, todos jogam igual, desde os 10 anos. Mesma formação, mesmo modelo de jogo, porém cada treinador vai fazer uma leitura diferente e passar isso de forma distinta.

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Há atividades direcionadas para os atletas que se destacam?

Isso acontece dentro de cada categoria.

Minha forma de ver os treinamentos é a seguinte: um pré-treino, no qual podemos trabalhar prioridades do atleta, algum déficit; o aquecimento, sendo bem global; o treino principal e por fim os complementos, e então nessa fase, as categorias dividem por posição, tendo um trabalho um específico.

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