Fisiologia na categoria de base do São Paulo


Por Thaís Torres


Nesta semana o site fisiologista.com recebe a visita do fisiologista do exercício da base do São Paulo Futebol Clube, Caio Vinícius Ferreira de Oliveira. A seguir ele conta um pouco sobre sua formação acadêmica, e dia a dia com os atletas desde Agosto de 2016.

Como foi sua trajetória acadêmica para estar hoje na área de  Fisiologia aplicada ao esporte?

Fiz licenciatura e bacharelado em Educação Física, pela Universidade Gama Filho – RJ, finalizando em 2008. Minha especialização foi em Fisiologia do Exercício, pela Universidade Católica de Brasília – UCB, terminando em 2010. Já estive em outro clube, mas atualmente sou fisiologista da base do São Paulo, e para essa atividade busco atualização o tempo todo, no entanto, devido ao tempo escasso, nem sempre congressos e cursos são as melhores opções. Há um evento que eu costumava frequentar, por coincidir com minhas férias, que é o FOOTECON  – Fórum Internacional de Futebol. Hoje minha atualização gira em torno dos artigos científicos para que possamos pautar as decisões e compreender a situação da fisiologia atualmente no futebol, observando as novidades.

Qual a importância desses estudos para o futebol e demais esportes?

É fundamental. Eles refletem a evolução do futebol e da fisiologia no esporte dando suporte para as atividades que desenvolvemos com os atletas.

Andando neste sentido, deixamos o futebol mais científico, mais rico; é diferente quando se tem um trabalho baseado em informações fidedignas e não nos ‘achismos’, pois assim temos resultados concretos.

WhatsApp Image 2017-05-19 at 5.50.38 PM

Na sua opinião, qual a área do futebol tem mais carência de estudos, de análises científicas?

Estudo voltados para os goleiros são menos encontrados. Eu ouço isso dos meus amigos, dos preparadores das equipes. Eles sentem dificuldade de encontrar informações voltadas aos goleiros.

Fazendo um comparativo entre profissional e atleta de base. Qual característica você percebe ser importante para cada um?

O profissional da base precisa ter consciência de que está em um ambiente formador, tanto da parte física e tática como também comportamental, da geração de um cidadão, pois todos esses aspectos estão relacionados com a formação completa do atleta. Dependendo do clube, este jovem vai viver longe da família, ele terá certamente uma rotina diferente dos jovens de sua idade – o profissional da base faz parte disso. Deve compreender também que este jovem atleta é um ser em transição, que vai ter aspectos como ansiedade, preocupações, desenvolvimento maturacional em andamento, então é necessário saber respeitar estas fases. É necessário saber dar e extrair o melhor do atleta respeitando suas individualidades.

E os atletas de base devem entender que são diferentes dos demais jovens da mesma idade. Ele terá exigências que os outros não tem, ele terá de fazer escolhas e abrir mão de coisas que são comuns para sua idade para ser um atleta de alto rendimento e seu comportamento deve acompanhar isto.

WhatsApp Image 2017-05-19 at 5.50.39 PM

Qual o maior desafio que você enxerga no trabalho com a categoria SUB20?

Acredito que o fator comportamento pese mais. São atletas que estão em momentos de definição, de decisão, chegando próximo da categoria profissional e a ansiedade tende a aumentar. A dinâmica do futebol para estes jovens é expressiva, pois eles podem buscar outro clube, ou  ir para o profissional e ter de voltar para base. Dar suporte é sempre necessário para que esta aflição e ansiedade não tomem conta.

WhatsApp Image 2017-05-19 at 5.38.49 PM

Qual avaliação você considera indispensável para as categorias mais infantis, como SUB13, e para as mais próximas do profissional, como o SUB20?

Eu dou importância a todas e prefiro não abrir mão de nenhuma para que a gente tenha uma visão mais completa da condição do atleta, avaliando também sua posição em campo. Estamos querendo nos aproximar cada vez mais da realidade em campo, da realidade do jogo, então as avaliações que se aproximem mais dessa condição são interessantes, no entanto considero todas pertinentes. Considerando nossos atletas mais novos a avaliação maturacional tem seu destaque para que a gente possa compreender o desenvolvimento desse atleta e fazer a correlação com sua atuação nos treinos, percebendo assim se seu desenvolvimento acompanha o desempenho técnico.

WhatsApp Image 2017-05-19 at 5.50.38 PM(1)

No clube há treinamento diferenciado para atletas que se destacam? Qual sua opinião sobre essa prática?

Durante as avaliações, sempre que percebemos algo diferenciado, seja para aproveitar ou para a melhorar e refinar, damos atenção a isto, pois precisamos identificar. Sobre treinos especificamente ainda não, mas isto já está próximo de acontecer pois estamos melhorando cada vez mais a gestão da categoria de base e isso faz parte dos planos.

Eu enxergo isso de forma positiva, pois quando encontra-se um atleta com potencial é necessário cuidar e preservar, aperfeiçoando cada vez mais.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s