Fisiologistas Brasileiros – Juliano Spineti


FISIOLOGISTAS BRASILEIROS – JULIANO SPINETI

Por Thaís Torres


Hoje estaremos conhecendo um pouco mais sobre as atividades desenvolvidas por Juliano Spineti , Fisiologista do Profissional e Coordenador Científico das Categorias de Base no Fluminense Football Club, um dos grandes clubes do Rio de Janeiro.

Juliano, conte um pouco sobre sua formação acadêmica.

Minha graduação foi em Educação Física, pela Universidade Gama Filho, finalizando em 2006 e a pós-graduação, também pela UGF, em Musculação e Treinamento de Força. Logo depois fiz Mestrado em Educação Física – Biodinâmica do Movimento Humano, na UFRJ, e Doutorado na UTAD, em Portugal, na temática Treinamento de Força e Potência aplicado a jogadores de futebol. Passei por outros clubes como fisiologista, mas como Coordenador Científico o Fluminense é o primeiro clube.

Para esta nova atividade, tenho de estar atualizado e, considerando que a dinâmica do futebol é muito grande, nem sempre consigo estar em Congressos, Workshops, e eventos acadêmicos. A forma mais rápida e simples são as plataformas de artigos, que disponibilizam os estudos publicados e possibilitam que as práticas introduzidas no clube sejam baseadas cientificamente.

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Juliano, sua atividade atual envolve análises de estudos. Como você enxerga o futebol e demais esportes baseados nestas análises?

Acho importante que o profissional desta área ‘técnico-científica’  esteja envolvido com o que há de novo, sempre na busca de reciclar e modernizar. É um trabalho que inclui a área acadêmica. Hoje temos uma lacuna entre a produção científica e a aplicação dela  efetivamente, na área esportiva em geral, não somente no futebol, embora seja um esporte bem popular e receba mais investimento – é um desafio. Acredito que isso também esteja relacionado ao fato de que nem todos que geram ciência para o esporte, que realizam estudos, sejam os que empregam os resultados.

Então hoje, eu procuro fazer esta ponte entre os dois pólos (pesquisa e prática) , que as vezes são bem distintos. Minha maior preocupação é conseguir passar estas informações da forma mais transparente e acessível para aqueles que vão realmente utilizá-las.

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As análises robustas e laboratoriais podem fugir da dinâmica do futebol. Hoje o futebol é uma empresa. Temos que conseguir transportar isso (as evidências científicas) para o dia a dia. Os protocolos precisam ser flexíveis para a rotina do futebol, para que não se torne complicado para os atletas que participam. É uma questão de operacionalizar os processos. Precisa ser bem prático: olhar um valor de CK, uma temperatura da termografia e tomar decisões baseadas nestas informações.

Outro ponto é repassar essas informações aos outros profissionais da equipe. Não dá para trazer vários valores, tabelas, porque isso foge da nossa dinâmica. Hoje eu faço um relatório mais prático, mostro como aqueles aspectos afetam os atletas. Acho que a responsabilidade também é nossa (do profissional envolvido com a área acadêmica) em otimizar esse entendimento.

Qual ponto você considera importante para o profissional da categoria de base?

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Vocação é um ponto importante, pois trabalha-se com adolescentes, em um ambiente um pouco diferente, às vezes esbarra-se na questão financeira também. A evolução do profissional da categoria de base é de médio a longo prazos, por isso tem de gostar do que se faz para manter  o progresso durante alguns anos.

Qual ponto você considera importante para o atleta da categoria de base?

Os atletas precisam do talento, não tem jeito. Sem o talento a gente não consegue fabricar. A gente aperfeiçoa o talento. Isso não se aplica somente à capacidade técnica, à habilidade no campo, pois o futebol é um esporte com várias interfaces físicas, com diversas características importantes, mas cada um precisa do talento para o papel que vai desenvolver: seja atacante, goleiro, zagueiro. Juntamente com o talento o atleta deve aprender a disciplina, deve gostar de treinar, deve suportar a momentos de estresse e fadiga, compreender que ele é um jovem diferente, que deverá  abdicar de algumas atividades comuns para outros jovens, que seus finais de semana não são livres, que o contato com a família às vezes será limitado.

Quais os desafios que você enxerga no trabalho com categorias iniciais e categorias mais próximas do profissional?

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Bom, em categorias como sub 13, acredito que devemos encarar o desenvolvimento como um elemento importante. O desenvolvimento biológico  e o maturacional são bem heterogêneos entre eles. Temos atletas com idades cronológicas próximas, mas desenvolvimento maturacional diferente, ainda tendo de considerar que entre as categorias temos um intervalo de 1 a 2 anos. Isso vai implicar na capacidade competitiva de cada um deles e nós temos de ter o discernimento para compreender que talvez não seja aquele o fator decisivo sobre a capacidade do atleta em alcançar o alto rendimento. Essa avaliação cabe ao profissional que trabalha com adolescentes. É preciso saber ponderar estes fatores, auxiliar aqueles que tenham um desenvolvimento mais tardio e perceber os que estão mais avançados.

Já no sub 20 é o controle da ansiedade de um jovem que está perto da condição de profissional. É preciso saber respeitar isso além de contribuir para a evolução destes atletas.

No clube há treinamento individual para os atletas diferenciados ? Como você vê esse tipo de prática?

Sim, há. Temos de mapear. Hoje o preparador físico, o auxiliar técnico, os demais profissionais envolvidos estão alertas para identificar o atleta que se destaca.

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