COMO O MÚSCULO SE RECUPERA DAS LESÕES?


COMO O MÚSCULO SE RECUPERA DAS LESÕES?

Por Thaís Torres


Atletas de diversas modalidades estão sujeitos às lesões musculares que podem comprometer os treinos por diferentes períodos de tempo dependendo do nível da lesão. Muitos são os tratamentos para recuperação das lesões e técnicas que evitem recidivas.Mas como o músculo consegue voltar ao seu estado anterior? Como ele se recupera da lesão?

De acordo com a composição muscular corporal, podemos considerar 3 tipos musculares, baseados  na morfologia e função das células, são eles: o músculo estriado esquelético, músculo estriado cardíaco e músculo liso. Consideraremos aqui o tipo muscular estriado esquelético, que compõe os grupamentos mais envolvidos com a dinâmica corporal. Ele possui algumas características: apresenta-se em feixes de células longas, com mais de um núcleo, e muitos filamentos, chamados de miofibrilas. Sabe-se que fatores como idade, sexo, alimentação e treinamento físico podem alterar o diâmetro das fibras musculares – o aumento da musculatura por meio de treinamento físico é devido à síntese de novas miofibrilas, com aumento do diâmetro das fibras musculares.

Além das células musculares há também o tecido conjuntivo que mantém as fibras unidas, o que colabora também para uma contração forte, que alcance cada fibra e faça do grupamento muscular algo homogêneo. Isso é relevante porque a contração pode ser regulada por outros fatores como inervação. Portanto, epimísio é a camada que envolve o músculo, perimísio é a porção de tecido conjuntivo que parte do epimísio e que vai envolver e determinar os feixes de fibras e, por fim, o endomísio recobre cada fibra individualmente.

musculo

Em relação às fibras, é comum caracterizá-las em fibras do tipo I, de contração lenta, porém mais resistentes, e fibras do tipo II, de contração rápida. São assim identificadas, as do tipo I, com bastante mitocôndrias e capacidade oxidativa alta; as do tipo II se destacam pelo metabolismo anaeróbio.

Há um pouco de cada tipo de fibra pelo corpo – alguns pesquisadores dizem ser uma divisão quase igual, 50% de cada uma – no entanto algo relevante é o fato de poder haver uma reorganização de fibras de acordo com as atividades exercidas pelo indivíduo, ocorrendo que as fibras do tipo II podem se tornar do tipo I – o inverso não ocorre.

As lesões podem ocorrer pela submissão do músculo a uma força extrema, como uma pancada, um trauma, alguma atividade que estire intensamente as fibras ou as coloquem em posições anormais. Nesses eventos há etapas que são bem definidas: destruição, reparo e remodelamento.

Na etapa da destruição, há ruptura das fibras e necrose, com formação de edema local devido ao extravasamento de células inflamatórias que tentarão remediar o quadro. Monócitos agem inicialmente, por serem residentes, posteriormente irão se transformar em macrófagos e agirão fagocitando o material necrótico, resultado da lesão. O recrutamento das células de defesa contribui para a formação do edema, além de vermelhidão e calor local. Outros fatores contribuem nesta etapa, como TNF-alfa e citocinas, pois tem sido associados ao estímulo de proliferação de células miogênicas, o que contribui para a síntese de novas fibras.

A fase de reparo se caracteriza por dois eventos: a regeneração das fibras e a formação de uma marca de tecido conjuntivo, como uma cicatriz. A regeneração das fibras geralmente se dá por células satélites que residem este ambiente desde o período embrionário, já a cicatrização é um processo em que células fibrosas tomam lugar na área lesada e não células do mesmo tecido. Outro evento importante para recuperação deste tecido lesionado é a formação de novos vasos sanguíneos para nutrição dessa área – angiogênese. Mais uma vez, fatores de crescimento estão envolvidos com esta etapa, como VEGF, que geralmente atua sobre angioblastos contribuindo para diferenciação em célula endotelial, e angiopoietina, que está relacionada com a formação e ramificação de vasos sanguíneos.

A fase final, é chamada de remodelamento pois tem o objetivo de organizar a cicatriz formada, visto que diversos elementos participaram desta etapa como os secretados pela matriz extracelular e células inflamatórias. Desta fase participam metaloproteinases que irão degradar elementos como colágeno formado, auxiliando no remodelamento.

Muitos estudos avaliam como cada uma das fases ocorre e quais mecanismos os regulam, mas a prevenção sempre um fator determinante. Portanto, faça exercícios com orientação profissional.

REFERÊNCIAS


Tiago Lazzaretti. Understanding the basics muscle injury. Disponível em: www.moreirajr.com.br

Crisco JJ, Jokl P, Heinen GT. A muscle contusion injury model: biomechanics, physiology, and histology. Am J Sports Med. 1994.

Hurme T, Kalimo H, Lehto M, et al. Healing of skeletal muscle injury: an ultrastructural and immunohistochemical study. Med Sci Sports Exerc. 1991.

JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J.Histologia Básica – texto e atlas. 12ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

Best TM, et al. Analysis of changes in RNA levels of myoblast and fibroblast-derived gene products in healing skeletal muscle using quantitative reverse transcription-polymerase chain reaction. J Orthop Res. 2001.

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