Efeito do treinamento intervalado sobre a pressão arterial de hipertensos


Por Matheus Ramos


The Effect of Cardio Waves Interval Training on Resting Blood
Pressure, Resting Heart Rate, and Mind-Body Wellness

CAMILLA M. NIELSON, BARBARA D. LOCKHART, RONALD L. HAGER, JAMES D. GEORGE, DENNIS L. EGGETT, PATRICK R. STEFFEN, ULRIKE H. MITCHELL, and BRUCE W. BAILEY

Brigham Young University, Department of Exercise Sciences

 RESUMO         

De acordo com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, as principais causas de morte no ano de 2011 da população norte americana se constituíram por doenças do coração, câncer, doenças crônicas respiratórias, e neurovasculares (acidente vascular cerebral) (HOYERT; XU, 2012) Estudos apontam para uma possível associação positiva entre pressão arterial descontrolada e uma maior incidência de doenças cardiovasculares. Isto pode ocorrer durante um longo período de tempo e pode resultar em morte prematura.  Segundo autores, há dois fatores de risco comuns para doenças cardíacas que são a hipertensão arterial e a frequência cardíaca de repouso elevada (CIOLAC, 2012). Esta associação está ligada a níveis de pressão arterial fora do padrões considerados normais a partir de 115/75 mmHg em situações consideradas em repouso, podendo ocorrer o dobro dos riscos para cada aumento 20/10 mmHg na pressão arterial sistólica / diastólica (LEWINGTON et al., 2002).

Lewington et al(2002) afirmam que a  a redução sistólica da pressão arterial em até 2 mmHg pode se apresentar com um fator importante que auxilia na diminuição de riscos à acidentes vasculares cerebrais e mortalidade por doenças isquêmicas do coração em, aproximadamente, 10% e 7%, respectivamente.

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A literatura nos demonstra que a hipertensão e as taxas elevadas da FC de repouso podem ser modificáveis através de hábitos de vida saudáveis e a prática regular de exercícios (KESSLER; SISSON; SHORT , 2012). Além disso, há diversos métodos que podem ser recomendáveis para a prevenção e o tratamento  da hipertensão como os Treinamentos intervalados (LOCKHART , 2011)  . A ACSM ( American College of Sports and Medicine) afirma que programas de exercícios que envolvem principalmente atividades de resistência podem auxiliar na prevenção da  hipertensão e no desenvolvimento da pressão arterial mais baixa além de promover diversos benefícios.

hipertensão

Diversos estudos vêm comparado os efeitos dos treinamento intervalado e o treinamento contínuo sobre a pressão arterial de repouso e a FC de repouso apresentando decréscimos significativos nas variáveis citadas anteriormente (CIOLAC et al, 2010; LAMINA, 2010; MOLMEN-HANSEN et al., 2012; MUNK et al., 2009; NYBO et al., 2010).

OBJETIVO

Este estudo realizado por estudiosos da Brigham Young University, em Provo- Utah , teve como objetivo analisar os efeitos de um programa intervalado de exercícios sobre a pressão arterial de repouso e a FC de repouso.

MATERIAIS E MÉTODOS

O protocolo utilizado para a análise do estudo constitui- se por um programa de exercícios conhecido como “ Cardiowaves” (ondas cardíacas). Este programa foi desenvolvido através de pesquisas e testes com atletas de classe mundial, objetivando a melhora de seu desempenho. Neste protocolo de treinamento intervalado , cada intervalo de exercício tem um alvo superior desejado e cada intervalo de recuperação tem uma frequência cardíaca desejada e uma faixa de recuperação pessoal de acordo com a frequência cardíaca de cada indivíduo. Durante o teste, cada avaliado porta consigo um monitor cardíaco , com o objetivo de mensurar o ritmo cardíaco ao longo dos intervalos de recuperação do exercício. Para diminuir o ritmo cardíaco , técnicas de relaxamento físico e mental são utilizadas durante os intervalos de recuperação. Isto se dá por conta de uma metodologia conhecida como “mente – corpo”, onde técnicas de relaxamento e perspectivas emocionais podem se mostrar como possíveis fatores que auxiliam na alteração das taxas da FC e PA de repouso. Estudos apontam que o exercício físico regular pode auxiliar em aspectos sociais e emocionais, inerentes e importantes ao estado de bem estar de cada indivíduo.

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Participaram deste estudo 52 participantes ,sendo divididos em dois grupos de 26 indivíduos (homens e mulheres) normotensos (<120/80 mmHg), pré-hipertensos (120-139 / 80-89 mmHg) e hipertensos (> 140/90 mmHg) que não faziam uso de medicamentos. Os procedimentos práticos das aplicações dos testes ocorreram durante o período de oito semanas, onde os sujeitos do estudo praticavam exercícios intervalados durante 30 min por sessão, quatro vezes na semana onde o período de tempo de cada intervalo de exercício e de recuperação variaram devido à rapidez com que cada participante poderia elevar e abaixar a sua frequência cardíaca para o alvo desejado. A cada duas semanas, os técnicos se reuniam com os sujeitos do estudo para realizarem a transferência de dados do monitor cardíaco para o computador. Os indivíduos que participaram da pesquisa foram instruídos a continuar seus hábitos diários normalmente, respeitando apenas a realização das sessões de treino. No início do programa de treinamento, os sujeitos do estudo foram submetidos a realizar um preenchimento de um questionário com questões gerais referentes aos hábitos de vida, juntamente com outro questionário que foi aplicado antes e após a intervenção com questões referentes ao estado de bem estar.  A pressão arterial de repouso, a frequência cardíaca de repouso e a massa corporal foram mensuradas antes e após a intervenção.

RESULTADOS E CONCLUSÃO

Como resultados do estudo, pode ser observado que um dos grupos apresentou uma diminuição significativa na PAS. As participantes do sexo feminino apresentaram uma diminuição significativa na PAS acordado (p =0,002), adormecido PAS (p = 0,01), o total de PAS (p = 0,003), acordado PAD (p = 0,02), e PAD total de (P = 0,05). Os participantes do sexo masculino apresentaram um aumento estatisticamente significativo no total PAD (P = 0,05). Os dois grupos analisados também apresentaram melhoras significativas nas variáveis analisadas em relação ao estado de” bem- estar”, demonstrando que metodologias diferentes com a inserção de elementos que objetivam o relaxamento emocional, podem se mostrar como possíveis auxiliadores do desenvolvimento. O presente estudo aponta para os possíveis benefícios que o treinamento intervalado pode apresentar para a prevenção e o tratamento de pessoas hipertensas. Torna-se importante neste sentido, o acompanhamento de um educador físico ou profissional competente para que os resultados possam ser cada vez mais satisfatórios.


REFERÊNCIAS 

Hoyert DL, Xu J. Deaths: Preliminary Data for 2011: U.S. Department of Health and Human Services, DoV Statistics; 2012.

Ciolac EG, Bocchi EA, Bortolotto LA, Carvalho VO, Greve JM, Guimaraes GV. Effects of high-intensity aerobic interval training vs. moderate exercise on Hemodynamic, metabolic and neuro-humoral abnormalities of young normotensive women at high familial risk for hypertension. Hypertens Res 33(8):836-43, 2010.

ewington S, Clarke R, Qizilbash N, Peto R, Collins R. Age-specific relevance of usual blood pressure to vascular mortality: a meta-analysis of individual data for one million adults in 61 prospective studies. Lancet 360(9349): 1903-13, 2002.

Kessler HS, Sisson SB, Short KR. The potential for high-intensity interval training to reduce cardiometabolic disease risk. Sports Med 42(6): 489-509, 2012.

Lockhart BD. CardioWaves: Interval Training for Mindbody Wellness. New York: Digital Legend Press & Publishing; 2011.

Ciolac EG, Bocchi EA, Bortolotto LA, Carvalho VO, Greve JM, Guimaraes GV.Effects of high-intensity aerobic interval training vs. moderate exercise on hemodynamic, metabolic and neuro-humoral  abnormalities of young normotensive women at  high familial risk for hypertension. Hypertens Res 33(8):836-43, 2010.

Molmen-Hansen HE, Stolen T, Tjonna AE, Aamot IL, Ekeberg IS, Tyldum GA, Wisloff U, Ingul CB,Stoylen A. Aerobic interval training reduces blood pressure and improves myocardial function in hypertensive patients. Eur J Prev Cardiol 19(2): 151-60, 2012.

Munk PS, Staal EM, Butt N, Isaksen K, Larsen AI. High-intensity interval training may reduce in-stent restenosis following percutaneous coronary intervention with stent implantation: a randomized controlled trial evaluating the relationship to endothelial function and inflammation. Am Heart J 158(5): 734-41, 2009.

Nybo L, Sundstrup E, Jakobsen MD, Mohr M, Hornstrup T, Simonsen L, Bulow J, Randers MB,Nielsen JJ, Aagaard P, Krustrup P. High-intensity training versus traditional exercise interventions for promoting health. Med Sci Sports Exerc 42(10): 1951-8, 2010.

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