Grelina e o ganho de peso


Por Thaís Torres


GRELINA E O GANHO DE PESO


 

A grelina é um hormônio que foi descoberto por um grupo de pesquisadores, no final da década de 90, e impulsionou estudos na área de endocrinologia e metabolismo (1. No estudo inicial a grelina estava sendo relacionada com a secreção de outro hormônio chamado GH – hormônio do crescimento. Mais tarde, ela foi relacionada com o controle central de ingestão de alimentos(2). Sendo assim, não demorou muito para que os estudiosos da área analisassem a sua relação com a obesidade e controle do apetite e ganho de peso.

Este hormônio é produzido por neurônios mas também por células do estômago, presentes ao longo do trato gastrointestinal, em especial pelas células enterocromafins, assim chamadas por se corarem com sais de crômio, em análises histoquímicas. É também produzido pelo coração, rins e placenta.(3,4)

A ação da grelina relacionada à alimentação e ganho de peso está relacionada ao núcleo arqueado do hipotálamo, região envolvida na regulação do apetite, e age influenciando na expressão de outros peptídeos.

As concentrações séricas de grelina são de aproximadamente 10 a 20 fmol/ml para a grelina n-octanoilada e 100 a 150 fmol/ml para a grelina total (formas de como ela pode ser apresentada. Variações químicas). A concentração da grelina geralmente aumenta em condições de jejum e diminui após alimentação, o que demonstra seu caráter de apontador para o aumento do apetite(6).

Alguns estudos, utilizando modelos animais, comprovaram que injeções cerebrais de grelina aumentavam a ingestão alimentar e contribuíam para o ganho de peso. No entanto, há outros que mostram que os níveis de grelina tendem ao aumento quando a massa corporal reduz, mesmo sem diminuição da alimentação(11), como um mecanismo compensatório em relação às alterações metabólicas. Por isso também  muitos pesquisadores acreditam que o exercício físico não influencia nos níveis de grelina, pois o organismo tenta nivelar esta mudança – se há baixos níveis de gordura corporal, estimula-se a alimentação = grelina com níveis elevados.

Há vários estudos que fazem relação da atividade da grelina em pessoas obesas, indivíduos fisicamente ativos, portadores de bulimia e anorexia, para compreender sua dinâmica em cada organismo visto que, mesmo relacionada com o estímulo à alimentação, há fatores como concentração de tecido adiposo, tipo e volume de alimentação, níveis de glicogênio que podem modular sua ação.

Parar de comer não é a saída, comer demais também não é opção. A alimentação precisa ser uma aliada. Alimente-se com cuidado e regularmente. Procure orientação de um profissional  para compreender qual a melhor forma de obter energia para suas atividades de acordo com as particularidades do seu organismo.


Referências

  1. Kojimo M, Date Y, et al. Ghrelin is a growth-hormone-releasing acylated peptide from stomach. Nature 1999 402:656-660
  2. Nakazato, Murakami N, Date Y, Kojima M, Matsuo H, Kangawa K, et al. A role for ghrelin in the central regulation of feeding. Nature 2001 409 (6817):194-8
  3. Date YKM, Hosoda H, Sawaguchi A, Mondal MS, Suganuma T, Matsukura S, Kangawa K, Nakazato M. Ghrelin, a novel growth hormone-releasing acylated peptide, is synthesized in a distinct endocrine cell type in the gastrointestinal tracts of rats and humans. Endocrinology 2000a 141:4255-4261
  4. RODRIGUES1 , S.S.; FONSECA2 , C.C.; NEVES3 , M.T.D. Endocrine cells of the gastroenteropancreatic system: Concepts, distribution, secretions, action and regulation. Arq. ciên. vet. zool. UNIPAR, 8(2): p. 171-180, 2005.
  5. Cassoni PG, Marrocco T, Tarabra E, Allia E, Catapano F, Deghenghi R, Ghigo E, Papotti M, Muccioli G. Expression of ghrelin and biological activity of specific receptors for ghrelin and des-acyl ghrelin in human prostate neoplasms and related cell lines. Eur. J. Endocrinol. 2004 150:173-184.
  6. Cumming JQ, Frayo RS, Schmidova K, Wisse BE, Weigle DS. A preprandial rise in plasma ghrelin levels suggests a role in meal initiation in humans. Diabetes 2001 50:1714-1719.
  7. Tanaka MNT, Yasuhara D, Tatebe Y, Nagai N, Shiiya T, Nakazato M, Matsukura S, Nozoe S. Fasting plasma ghrelin levels in subtypes of anorexia nervosa. Psychoneuroendocrinology 2003b 28 829- 835.
  8. Tanaka MN, Nagai N, Kuroki N, Shiiya T, Nakazato M, Matsukura S, Nozo S. Habitual binge purge behavior influences circulating ghrelin levels in eating disorders. J. Psychiatr. Res 2003a 37:17-22.
  9. Cummings RS, Marmonier C, Aubert R, Chapelot D. Plasma ghrelin levels and hunger scores in humans initiating meals voluntarily without time- and food-related cues. Am. J. Physiol. Endocrinol. Metab 2004 287:297-304.
  10. Callahan DE, Pepe MS, Breen PA, Matthys CC, Weigle DS. Postprandial suppression of plasma ghrelin level is proportional to ingested caloric load but does not predict intermeal interval in humans. J. Clin. Endocrinol. Metab 2004 89:1319-1324.
  11. Hansen TKD, Hosoda H, Kojima M, Kangawa K, Christiansen JS, Jorgense JO. Weight loss increases circulating levels of ghrelin in human obesity. Clin. Endocrinol 2002 56:203-206.
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