TECIDO ADIPOSO COMO GLÂNDULA ENDÓCRINA


Por Rafael Carpenter


TECIDO ADIPOSO COMO GLÂNDULA ENDÓCRINA


  O conceito de que os adipócitos são células secretoras se confirmou nos últimos anos, até pouco acreditava-se que o tecido adiposo era um compartimento inerte do corpo, responsável por um gasto energético inexpressivo e que tinha basicamente a função de armazenar energia. Atualmente, no entanto, sabe-se que se trata de um complexo reservatório energético regulado funcionalmente por nervos, hormônios, nutrientes, e por mecanismos autócrinos e parácrinos, sabe-se também que o tecido adiposo tem um importante papel, funcionando em alguns casos como órgão endócrino com funções reguladoras, abaixo alguns dos fatores secretados pelo tecido adiposo com função endócrina:

Estrogênios – A atividade da aromatase P450 no tecido adiposo é importante para a produção de estrogênios. Na mulher, a conversão da androstenediona a estrona, aumenta em função do envelhecimento e da obesidade, pelo aumento na transcrição da aromatase P450 na gordura subcutânea, nos adipócitos e células estromais (pré-adipócitos), estimulada pela insulina e cortisol, nos pré – e adipócitos na mulher e somente nos adipócitos no homem, assim contribuindo para as diferenças sexuais no padrão da distribuição do tecido adiposo.

No homem, a conversão periférica da testosterona ao estradiol e da androstenediona a estrona estão aumentado na obesidade, bem como os correspondentes níveis circulantes. Desde que a conversão da testosterona ao estradiol não explica o aumento da produção do estradiol no homem obeso, sendo provável que o estradiol seja secretado ou resultado da conversão periférica da estrona ou também do sulfato de dehidroepiandrosterona, o esteróide adrenal mais abundante. Os andrógenos e estrógenos ativos produzidos localmente nos tecidos periféricos, especialmente o tecido adiposo, podem apresentar uma ação parácrina, interagindo com os correspondentes receptores nas mesmas ou células próximas onde ocorreu a sua síntese antes da sua liberação para o ambiente extracelular como tais ou metabólitos inativos.

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Leptina – é o produto do gene da obesidade (ob) que é expresso nos adipócitos. Sabe-se agora que o tecido adiposo branco é o maior sítio de produção da leptina. Uma vez na circulação sanguínea ela se liga a receptores específicos no cérebro, levando ao sistema nervoso central um sinal de saciedade que reflete a quantidade existente de energia em forma de gordura no organismo. Agindo por intermédio de receptores, a leptina modifica a expressão e a atividade de inúmeros peptídeos hipotalâmicos que regulam o apetite e o gasto de energia. Além disso, a leptina sinaliza o estado nutricional do organismo a outros sistemas fisiológicos, modulando a função de várias glândulas alvo.

Angiotensinogênio – sintetizado primariamente no fígado, é também secretado em abundância pelo tecido adiposo, onde a expressão gênica é regulada pelos glicocorticóides. A expressão do angiotensinogênio é similar na massa visceral e subcutânea. O angiotensinogênio é clivado pela renhia à angiotensina I e esta convertida a angiotensina II pela enzima de conversão da angiotensina, ambas as enzimas também expressas no tecido adiposo. Assim, a angiotensina II, produzida localmente no tecido adiposo, estimulando a produção de prostaciclina pelos adipócitos pode induzir a diferenciação dos pré-adipocitos a adipocitos. Além do efeito no desenvolvimento do tecido adiposo, o aumento da secreção do angiotensinogênio, via angiotensina II, poderia induzir um aumento da tensão arterial observado com frequência na obesidade.

Adiponectina – proteína secretante colágenosímile, é especifica e abundantemente expressa no tecido adiposo, com predominância na gordura visceral, sendo detectada no plasma humano, correlacionando-se negativamente com o índice de massa corporal e área da gordura visceral abdominal, porém não com a gordura subcutânea abdominal. Estudos em macacos mostraram que havia uma correlação inversa significativa entre o peso corporal e os valores de adiponectina plasmática ao contrário do verificado para a leptina circulante. Em macacos hiperinsulinêmicos, os níveis de adiponectina estavam reduzidos enquanto os de leptina, elevados. Estudos longitudinais mostraram que a adiponectina circulante era negativamente regulada pela adiposidade. Finalmente, em pacientes com moléstia coronariana se observaram valores mais baixos do que nos controles, independente do índice de massa corporal ou gordura visceral.


REFERÊNCIAS

 WAJCHENBERG, Bernardo Léo.Tecido adiposo como glândula endócrina. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2000, vol.44, n.1, pp.13-20. ISSN 1677-9487.

 NEGRAO, André B.  and  LICINIO, Julio.Leptina: o diálogo entre adipócitos e neurônios. Arq Bras Endocrinol Metab [online]. 2000, vol.44, n.3, pp.205-214.

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