EFEITOS DA OCLUSÃO VASCULAR NO TREINAMENTO DE FORÇA


Por Rafael Carpenter –


Com um crescente número de estudos científicos que apontam para os benefícios de ganho de força e massa muscular, o treinamento com oclusão vascular ou Kaatsu Training vem ganhando adeptos a passos largos. Mas de onde vem este método? No que ele consiste? Pode ser utilizado com qualquer indivíduo? Os benefícios são reais, e como acontecem?

O método foi desenvolvido pelo fisiculturista e pesquisador Japonês Yoshiaki Sato na década de 60 e consiste na execução de séries com baixa intensidade, entre 25 e 50% de 1 RM, utilizando-se de pressão em pontos específicos do corpo para bloquear o fluxo de sangue para as regiões exercitadas. Nos membros superiores é feito o bloqueio na inserção distal do músculo deltoide e nos membros inferiores na prega inguinal. Este bloqueio pode ser feito por meio de torniquetes, elásticos ou bolsas pneumáticas, como os manguitos utilizados nos aparelhos de mensuração de pressão arterial.

kaatsu-equipamento

O Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, 2009) sugere que a sobrecarga mecânica para se obter benefícios nos ganhos de força e hipertrofia a carga dos exercícios deve se situar em torno de 70-85% de 1RM, porém, alguns estudos feitos na última década tem mostrado resultados semelhantes em ganho de massa e força quando comparados os métodos Kaatsu (25-50% de ao método treinamento de alta intensidade (70-85% de 1RM). (KARABULUT et al., 2009, KUBO et al., 2006; ABE, 2005;).

 Dentre as repostas encontradas na literatura que justificam o sucesso do método Kaatsu estão:

  • O estudo de Tanimoto (2005) comparou a diminuição de oxigenação no músculo em 4 métodos distintos. Com a oclusão o efeito agudo encontrado foi a diminuição considerável da oxigenação muscular em relação ao repouso e a outros métodos, após o exercício e o período de hipoxia o aumento do fluxo de oxigênio no músculo foi de 143% para o método Kaatsu. Esse fato é explicado pelo corpo tentar compensar a maior diferença arteriovenosa proveniente da oclusão, assim gerando um aumento do VO2max e maior densidade capilar.

 

  • Estimula de forma semelhante ao do treinamento de força usual de alta intensidade os aumentos da força e da área de sessão transversa,. Devido a hipoxia provoca uma maior ativação das fibras do tipo II, que tem predominância no treinamento de força e maior relação com o aumento na secreção do hormônio do crescimento. Esse aumento na concentração plasmática de GH após a sessão de treino foi atribuído ao acúmulo de metabólitos produzidos durante as contrações com oclusão. O aumento na concentração de GH com o método Kaatsu comparado a protocolos usuais vem sendo encontrado em quantidades semelhantes ou superiores. O GH tem como uma das principais funções o estímulo a secreção do outro hormônio o IGF-1, este que está envolvido diretamente na síntese proteica e nos processo de crescimento muscular, talvez um dos mecanismos mais evidentes do processo de hipertrofia associado ao método. (TANIMOTO, 2005; REEVES et Al., 2006).

 

  • Alguns estudos apontam para mudanças nos mecanismos de sinalização intracelular decorrentes das adaptações ao método, como o aumento da fosforilação de proteínas como S6k1, PKb/Akt e mTOR, mas esse fato ainda se encontra divergênte na literatura. Porém um dado relevante encontrado com o Kaatsu foi a diminuição na expressão da miostatina, conhecida como regulador negativo do crescimento muscular. (DRUMMOND et al. 2008).

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O Kaatsu Trainning parece ser válido, pórem se faz necessário um profissional para acompanhar as variáveis envolvidas, pois o aumento da pressão nos vasos causada pela oclusão pode levar a reações como: a formação de trombo; lesões microvasculares, durante ou após a aplicação da pressão; e a redução do debito cardíaco que de forma estrema pode gerar efeitos colaterais como confusão mental, desorientação, anemia cerebral e agravamento da doença isquêmica do coração, podendo levar a óbito. Tais informações nos levam a concluir que assim como em outros métodos de treinamento de força é necessário conhecer as variáveis envolvidas e os limites do indivíduo que será exposto ao treinamento, bom senso sempre (NAKAJIMA, 2006).


REFERÊNCIAS

 

ABE, T.; BEEKLEY, M.D.; HINATA, S.; KOIZUME, K.; SATO, Y. Day-to-day change in muscle strength and MRI-measured skeletal muscle size during 7 days KAATSU resistance training: A case study. International Journal Kaatsu training research., Tokyo, v.1, p.71-76, 2005.

ACSM. American College of Sports Medicine position stand. Progression models in resistance training for healthy adults. Medicine & Science in Sports & Exercise, Madison, v.41, n.3, p.687-708, 2009.

 DRUMMOND, M.J.;   FUJITA,   S.;   TAKASHI,   A.;   DREYER,   H.C.;   VOLPI,   E.; RASMUSSEN, B.B. Human muscle gene expression following resistance exercise and blood flow restriction. Medicine & Science in Sports & Exercise, Madison, v.40, n.4, p.691-698, 2008.

NAKAJIMA, T. et al. Use and safety of KAATSU training: results of a national survey. International Journal of KAATSU Training Research, v. 2, n. 1, p. 5-13, 2006.

KARABULUT, M.; ABE, T.; SATO, Y.; BEMBEN, M.G. The effects of low-intensity resistance training with vascular restriction on leg muscle strength in older men. European Journal of Applied Physiology,   Bethesda, 2009.

 KUBO, K.; KOMURO, T.; ISHIGURO, N.; TSUNODA, N.; SATO, Y.; ISHII,   N.;KANEHISA, H.; FUKUNAGA, T. Effects of low-load resistance training with vascular occlusion on the mechanical properties of muscle and tendon. Journal of Applied Biomechanics,   Toronto, v.22, n.2, p.112-119, 2006.

REEVES, G.V.; KRAEMER, R.R.; HOLLANDER, D.B.; CLAVIER, J.; THOMAS, C.;FRANCOIS, M.; CASTRACANE, V.D. Comparison of hormone responses following light resistance exercise with partial vascular occlusion and moderately difficult resistance exercise without occlusion. Journal of Applied Physiology, Bethesda, v.101, n.6, p.1616-1622, 2006.

SATO, Y.; YOSHITOMI, A.; ABE, T. Acute growth hormone response to low-intensity KAATSU resistance exercise: Comparison between arm and leg. International Journal Kaatsu Training Research,   Tokyo, v.1, p.45-50, 2005.

TANIMOTO, M.M., H.; ISHII, N. Muscle oxygenation and plasma growth hormone concentration during and after resistance exercise: Comparison between “KAATSU” and other types of regimen. International Journal Kaatsu Training Research, Tokyo, v.1, p.51-56, 2005.

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