O TREINAMENTO CONCORRENTE E SUAS IMPLICAÇÕES


Por Sarah Ramos – sarah@fisiologistas.com

O treinamento concorrente (TC) é definido quando em uma mesma sessão de treino são realizado treino de força e aeróbio, sendo no mesmo momento (um em sequência do outro) ou no mesmo dia (em horários diferentes). Em relação aos benefícios proporcionados por esse tipo de treinamento a literatura científica mostra-se controvérsia.

Algumas pesquisas apontam que o TC geraria menores efeitos, atuando na diminuição do desenvolvimento da capacidade aeróbia e de adaptações do treinamento de força, comparados a um treinamento que divida força e aeróbio em dias diferentes. A nível fisiológico podemos encontrar uma possível explicação para esse fato, já que com diferentes formas de exercício (força x endurance) induziríamos mecanismos intracelulares de sinalização antagonistas, podendo então gerar uma influência negativa na resposta adaptativa muscular. Contudo, outros autores têm demonstrado que o TC não interferiria negativamente nos ganhos de força e capacidade aeróbia, quando comparado aos treinos em dias isolados.

Essas controvérsias encontradas na literatura podem ser explicadas pelas diversas metodologias adotadas para os experimentos, onde até mesmo o TC sofre diferentes variações. Alguns estudos optam por utilizar treinamento de força e endurance em sequência, outros possuem um intervalo entre 2/3 horas entre cada tipo de treino, e ainda existem os que utilizam a metodologia de uma cada em um turno (ex. treino de força de manhã e aeróbio à tarde), logo, somente essas variações já podem exercer uma influência significativa nos resultados.

Apesar da falta de precisão dos resultados, vale ressaltar que em uma sociedade em que os indivíduos precisam cada vez mais maximizar o seu tempo à utilização do TC pode ser benéfica como estratégia de treinamento. Além de que técnicos e preparadores físicos de esportes que possuem característica de esforços intermitentes (esforços de alta intensidade intercalados com esforços de baixa intensidade), onde é possível observar que combinações de força e endurance são extremamente necessárias, utilizam esse método de treinamento com os seus atletas.

Referências:

CLODOALDO, Antônio de Sá et al. Treinamento concomitante afeta o ganho de força, mas não a hipertrofia muscular e o desempenho de endurance. Revista da Educação Física Uem, Maringá, v. 24, n. 3, p.453-464, set. 2013.

IDE, Bernardo Neme et al. TREINAMENTO DE FORÇA VERSUS TREINAMENTO DE ENDURANCE. EXISTE COMPATIBILIDADE? Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v. 4, n. 21, p.263-269, jun. 2010.

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