Marcadores biológicos de micro lesões


O uso de proteínas marcadoras de lesão muscular tem sido amplamente empregado na ciência bem como na clínica para identificar e quantificar lesões musculares, infarto agudo do miocárdio, hepatite, alcoolismo, entre outras entidades mórbidas (Hedges, 1995; Puoti, 2004; Harasymiw e Bean, 2007; Bessa, Nissembaum et al., 2008).

Classicamente, para tentar estimar a magnitude de uma micro lesão muscular usa-se um protocolo composto por enzimas presentes em grande quantidade no citoplasma de células musculares: a creatina quinase (EC 2.7.3.2; CK) e a lactato desidrogenase (EC 1.1.1.27; LDH) (Gault e Geggie, 1969).

A creatina quinase (CK) é extensivamente usada como marcador de micro lesão muscular, tanto esquelética quanto cardíaca (Bassini-Cameron, Sweet et al., 2007; Bassini-Cameron, Monteiro et al., 2008) para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio (Hedges, 1995). Há três isoformas descritas de CK: MM-CK, MB-CK e BB-CK. A quantidade das isoformas de CK varia de acordo com o tecido, mas todas estão presentes em grandes sítios de liberação, por isso a identificação somente dessa enzima não é conclusiva, fazendo-se necessária a análise de outros marcadores, como a lactato desidrogenase (LDH). A monitoração dos níveis de LDH tem aplicações na ciência do exercício, onde recentemente foi demonstrado que a cinética do aparecimento de LDH no sangue após o exercício é mais rápida que a de CK (Bessa, Nissembaum et al., 2008). A análise clínica da LDH, no sangue ou na urina, encontra utilidade no controle de doenças neuromusculares e do trato urinário (Gault e Geggie, 1969).

Tanto a CK quanto a LDH estão presentes tanto no músculo esquelético quanto no cardíaco, por isso a quantificação de marcadores de lesão em outros tecidos, como o fígado, para determinação do sítio primário de liberação por eliminação se faz necessária (Bessa, Nissembaum et al., 2008). Os marcadores hepáticos clássicos são aspartato aminotransferase (EC 2.6.1.1; AST), alanina aminotransferase (EC 2.6.1.2; ALT) e gama glutamil transferase (EC 2.3.2.2; gGT) (Puoti, 2004; Muntoni e Reddel, 2005; Lin, Chang et al., 2008; Solaro, Rosevear et al., 2008). Estas enzimas são transaminases encontradas em baixa quantidade nos músculos, mas presentes em abundância nos hepatócitos. Os níveis plasmáticos elevados desses marcadores são observados durante situações de injúria hepática (Tohidi, Harati et al., 2008). Quando somadas a análise de CK e LDH nos dão uma ideia da localização e da extensão da lesão, mas não de forma precisa.

Proteínas sarcoméricas, como a a-actina e a miosina II são bons alvos para um protocolo de detecção por ensaio imunológico. Como são encontradas exclusivamente em células musculares, elimina-se a necessidade de investigação de marcadores em outros sítios para o diagnóstico por eliminação. Um problema aqui reside no peso molecular e na solubilidade destas proteínas. Como estão ligadas a filamentos demoram mais a entrar na corrente sanguínea, retardando a sua detecção.

Fonte: proximus.com.br/news/node/101

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