Explicação científica para as entrevistas na saída de campo do futebol


No último dia 20 de junho, Marinho ganhou fama nacional. Não pelo belo gol que marcou no Castelão, mas sim por sua entrevista na saída de campo. Em frente às câmeras, ao saber que estaria fora do jogo seguinte por suspensão, o atacante desabafou sonoros “que merda”, suspirando decepção. Entrou para o rol de declarações inusitadas do futebol nacional, junto a Gil, Jardel e tantos outros. E ajudou a levantar a questão: será que tem explicação científica para o atleta desabafar ou se empolgar ao falar no pós-jogo? Pois é, tem sim.

Futebol é exercício de alta intensidade. Por isso, o corpo do jogador que atua durante vários minutos de uma partida está sujeito a algumas reações fisiológicas que podem influenciar diretamente na capacidade de raciocinar.

Segundo o mestre em Fisiologia do Exercício e fisiologista do Ceará, André Martins, o atleta sofre, ao longo da partida, uma diminuição nas reservas de glicose. Ao fim de um jogo e término deste esforço, os estoques podem estar comprometidos ao ponto de não conseguirem suprir a demanda do sistema nervoso central.

“Mas vale destacar que a regulação da disponibilidade de glicose e da temperatura corporal são facilmente controladas pela ingestão de líquidos específicos. Sendo assim, no caso do atacante Marinho, provavelmente aconteceu uma desregulação da pressão arterial associada a uma perda de eletrólitos no sangue”, explica André Martins.

Ao final da entrevista “épica”, Marinho definiu seu estado depois de 90 minutos: “Tô cansado”. E a exaustão da peleja provoca ao atleta, aponta Martins, a diminuição da distribuição de sangue para tecidos periféricos, inclusive o tecido nervoso.

“Assim, o tecido nervoso fica com sua distribuição de glicose e de oxigênio deficiente, além de ocorrer aumento de temperatura, comprometendo assim algumas de suas funções, dentre elas, a capacidade de raciocinar durante uma entrevista”, afirma o fisiologista.

“FOI ESPONTÂNEO”

Em entrevista ao O POVO, Marinho disse que muitas vezes pensou em não falar na saída de campo, devido à condição de cansaço e “cabeça quente” do jogo. “ Você acha logo que vai ‘quebrar a bola’ ali”, brincou. O atacante encara com tranquilidade a repercussão que sua entrevista tomou. “Foi uma situação bem na inocência, bem espontânea. Coisa que é difícil acontecer, já que entrevista de jogador é sempre a mesma coisa”, conta.

É sabendo da possibilidade de declarações engraçadas ou polêmicas que a assessoria de imprensa do Ceará, assim como de outros clubes, tem suas prevenções. “Entendemos que é importante o atleta ‘esfriar’. Se fisicamente eles se doam em campo, psicologicamente também. A orientação é que eles atendam a imprensa na saída do campo, mas sempre de forma breve e andando para o vestiário rapidamente”, explica o assessor do Vovô, Rafael Barros.

Fonte: http://esportes.opovo.com.br/app/esportes/clubes/ceara/2015/06/28/noticiasceara,2983883/perolas-faladas-por-jogadores-em-saida-de-campo-se-tornam-hits-para-alem-do-comico-ha-explicacao-cientifica-para-esses-deslizes.shtml

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s