Como superar o ‘efeito sanfona’?


Manter uma dieta balenceada durante todos os dias da semana, não esmorecer nas atividades físicas e orientação média são essenciais

Você finalmente venceu a batalha contra a balança e ficou com um corpo invejável, recebendo muitos elogios. Meses depois, porém, voltou a engordar e viu todo o sacrifício jogado fora. Pois é, foi mais uma vítima do chamado efeito sanfona, que ataca milhares de pessoas que conquistam o emagrecimento, mas depois de algum tempo voltam a engordar e desanimam… “O que ocorre é que muitos acham que chegaram ao patamar ideal e podem relaxar na alimentação e nos exercícios físicos”, comenta Givanildo Holanda Matias, fisiologista e personal trainer.

Segundo ele, é preciso estar alerta para que o efeito sanfona não seja recorrente em sua vida e cause problemas estéticos – como flacidez e estrias – e, pior, na sua saúde. “Aumento na pressão arterial, diabetes, síndrome metabólica, distúrbios hormonais e problemas ortopédicos são alguns dos muitos transtornos de quem sofre com a variação do peso. Crianças e adultos passam pelo problema e é preciso cuidar-se desde cedo”, alerta o fisiologista.

Matias dá dicas para quem emagreceu e não quer enfrentar o problema. Ele também ensina quem voltou a engordar a ‘entrar na linha’ novamente:

Se você não quer passar pelo efeito sanfona…

– Continue queimando mais calorias do que as consome.

– Mantenha o equilíbrio entre atividade física, exercício físico e dieta. Atividade física é qualquer tipo de movimento corporal voluntário, como caminhada para a escola, tarefas domésticas e no ambiente de trabalho, que eleve o gasto energético do indivíduo acima dos níveis de repouso. Já o exercício físico é todo movimento realizado com planejamento, programação e objetivo específico, como é o caso de natação, musculação, corrida e ginástica, por exemplo. Você não terá bons resultados se praticar uma hora de exercício físico pela manhã, mas passar o dia todo sentado no escritório. Tente realizar alguma atividade no meio do dia, como uma breve caminhada após o almoço. Também ajuda andar até um ponto de ônibus mais distante, levar o cachorro para passear, varrer a calçada, dançar…

– Não é porque você emagreceu que pode abusar nos finais de semana. Aquele chopp com pizza pode sim se transformar em quilinhos extras e colocar tudo a perder. Use a lei da compensação: comeu mais em um dia, coma menos e malhe mais em outro.

– Tenha em mente que o exercício físico faz parte da adoção de um estilo de vida saudável e para sempre. Se você parar de se exercitar, além de ganhar peso, perderá saúde.

– Evitar vícios como álcool e fumo, ter sono regular e momentos agradáveis de lazer contribui muito para alcançar sucesso em qualquer plano de perda ou manutenção de peso.

– Mantenha o programa alimentar e físico por pelo menos seis meses – tempo adequado à adaptação do organismo ao novo peso. Tendo atingido o peso ideal, saia de vez em quando da dieta – coma aquele doce desejado ou descanse um dia na semana. Fique atento, porém, a ganhos mínimos de peso e não se deixe levar pela gula – “é só mais uma barrinha” – ou pela preguiça. Atenha-se à matemática do equilíbrio entre a ingestão e o gasto de calorias.

Para quem quer emagrecer e permanecer magro…

– Se você conseguiu emagrecer uma vez, o que o fez engordar? Mapeie cada passo e siga o caminho inverso!

– Está na hora de readquirir os hábitos que o fizeram emagrecer: a reeducação alimentar e a adoção de exercícios físicos devem ser adotados aos poucos.

– A busca pelo corpo perfeito deve incluir a mudança – eliminação, se necessário – do agente causador do aumento de peso. Correr para a academia no verão para tirar o atraso dos abusos do inverno, quando se come mais e se exercita menos que o habitual, é uma atitude de eficiência zero. Quando outro inverno chegar, volta o círculo vicioso.

– O aumento de peso não é rápido, e assim também não pode ser sua eliminação. Se uma pessoa ganha 15 quilos em dois anos, por exemplo, não pode querer perdê-los em apenas três meses. O organismo e o corpo como um todo trabalham de acordo com o peso da pessoa. Quando ele muda em pouco tempo, o metabolismo demora para se adaptar.

– A vida familiar pode ser um grande causador do efeito sanfona. Ajude seu filho, marido, irmão, pai ou qualquer outro membro praticando a alimentação balanceada e a reeducação alimentar com ele. Todos têm a ganhar com isso.

– Dificilmente o indivíduo consegue, sozinho, aumentar o nível de atividade física cotidiana e promover reeducação alimentar. O ideal é consultar um profissional de Educação Física e um Nutricionista para acabar de vez com o efeito sanfona.

– Quem não pratica exercícios deve passar por uma avaliação física e cardiovascular e começar a frequentar uma academia três vezes por semana, seguindo um programa dinâmico e diversificado de exercícios (atividade aeróbia e exercícios localizados com sobrecarga, de preferência em circuitos de cinco minutos). Outra sugestão é começar a caminhar após o almoço duas vezes por semana.

– Mude os hábitos progressivamente até abranger a semana toda. Abusos nos finais de semana podem pôr tudo a perder. Mudanças graduais também exigem um certo sacrifício no início – menor do que quando radicais –, mas com o tempo se incorporam ao cotidiano e o organismo terá mais facilidade de adaptação.

– Evite a falta de tempo como desculpa para não se exercitar. Se preciso, acorde mais cedo ou durma mais tarde, sem, porém, prejudicar a qualidade do sono.

– Não comece a praticar corrida se você não tem o hábito e nem o interesse. Procure atividades que o agradem: caminhada, natação, bicicleta. Resgate hábitos esquecidos e lúdicos, como brincar com as crianças e sair para dançar;

– Deixe o carro em casa e evite o ônibus para percursos pouco extensos. O corpo e a mente agradecerão, pois será possível observar melhor os arredores e exercitar a criatividade e a clareza de ideias.

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