Sem clube, Moraci Sant’Anna espera ‘bom projeto’ para voltar ao futebol e defende Zico e Turíbio


Detentor de um currículo invejável e apontado como uma das principais referências em sua área, o preparador físico Moraci Sant’Anna está à procura de um “bom projeto” para voltar ao futebol. Depois de ter sido demitido do Olympiakos, da Grécia, onde trabalhou com Zico, em janeiro deste ano, Moraci diz já ter recebido várias propostas, mas nenhuma que “valesse a pena”.

“Eu e o Zico saímos do Olympiakos no começo do ano e, de lá para cá, é claro que apareceram várias propostas e sondagens do exterior. Mas nada que me chamasse a atenção ou representasse um grande desafio para mim”, explicou o preparador físico, que já trabalhou em comissões técnicas comandadas por renomados treinadores do futebol brasileiro.

O grande momento da trajetória profissional de Moraci foi vivido nos anos 1990, no São Paulo de Telê Santana. Entre 1990 e 1994, o clube do Morumbi conquistou praticamente todos os títulos que disputou – e Moraci só deixou o cargo de preparador físico da equipe porque aceitou trabalhar com Carlos Alberto Parreira na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos, pela seleção brasileira.

“Pela minha experiência no futebol, prefiro esperar mais um pouco. Independentemente de ser no Brasil ou no exterior, em alguma seleção ou em algum clube, o que importa é que a proposta represente um bom projeto e um desafio a mais na minha carreira”, diz o preparador físico, que também já trabalhou em clubes como Palmeiras, Fluminense, Internacional, Corinthians, Atlético-PR, Valencia (ESP) e Fenerbahce (TUR) – neste último, também ao lado de Zico –, além das seleções dos Emirados Árabes e da Arábia Saudita.

Zico e Turíbio

Moraci Sant’Anna também falou sobre a tumultuada e surpreendente saída de dois profissionais com quem trabalhou – e de quem se tornou grande amigo – do Flamengo e do São Paulo: o próprio Zico, que pediu demissão do cargo de diretor executivo do clube da Gávea após desentendimentos com o Conselho Fiscal, e o fisiologista Turíbio Leite de Barros, pioneiro da área no futebol brasileiro e que foi demitido do clube do Morumbi em julho, após 25 anos de serviços prestados.

“No caso do Zico, infelizmente, isso acontece muito no futebol. Não sei exatamente qual é o interesse de alguns dirigentes do Flamengo, mas posso dizer que o Zico tem um caráter sensacional e estava tentando fazer o melhor pelo clube”, afirmou. “Fiquei muito amigo dele nos últimos anos e sei que ele viu na Patrícia (Amorim, presidente do Flamengo) uma grande chance de fazer alguma coisa boa pelo clube. Mas há interesses por trás que a gente não sabe e que acabam atrapalhando o trabalho.”

Sobre Turíbio, demitido pelo presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, depois de mais de duas décadas como fisiologista do clube, Moraci também revela surpresa e desapontamento. “Para mim, foi uma surpresa muito grande. O Turíbio foi o pioneiro da área de fisiologia aplicada ao esporte no Brasil. É o melhor fisiologista da América Latina e sempre é convidado a participar de congressos internacionais e dar palestras fora do país”, elogia. “Nós demos uma ênfase muito grande a esse departamento quando trabalhamos juntos no São Paulo. Sinceramente, fui pego de surpresa quando soube de sua demissão.”

Seleção e outros clubes

Com experiência de quatro Copas do Mundo na comissão técnica da seleção brasileira (1982, 1986, 1994 e 2006), Moraci Sant’Anna fez elogios ao início de trabalho do técnico Mano Menezes e do preparador físico Carlinhos Neves na CBF. “Acho que o Mano está no caminho certo ao dar preferência aos jogadores mais jovens nesse processo de renovação do time”, analisa. “A maior dificuldade da preparação física da seleção é que você depende muito do trabalho feito nos clubes, já que não há muito tempo de trabalho com os jogadores. Mas confio muito no Carlinhos. Ele é um excelente profissional e sua escolha foi merecida.”

Sant’Anna também falou sobre o crescimento da infraestrutura de alguns grandes clubes brasileiros nos últimos anos e a preocupação cada vez maior com áreas como a fisiologia e a preparação física – e comentou sobre o Corinthians, que recentemente inaugurou seu novo centro de treinamento. “Essa é uma nova realidade que estamos vendo e é muito bom para o futebol brasileiro. Não cabe um clube grande como o Corinthians ou o Flamengo não ter uma estrutura adequada para trabalhar. Acho que muito disso se deve ao trabalho que fizemos no São Paulo, nos anos 1990, que serviu de modelo para os outros clubes.”

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