Histórico da Ergoespirometria (parte 1)


O desenvolvimento de condições laboratoriais objetivando o estudo e a avaliação do desempenho físico de indivíduos normais e patológicos têm-se constituído em um dos principais avanços científicos na área da cardiologia aplicada à cardiologia do exercício. Considerando que a função básica dos sistemas cardiovascular e pulmonar é manter o processo de respiração celular, e sabendo que uma das maneiras de se aferir essa função é a determinação do consumo de oxigênio e da produção de dióxido de carbono, o desenvolvimento de um método confiável e reprodutível para avaliar as adaptações do organismo em diferentes intensidades de esforço seria de grande interesse. Esse método, hoje, é a ergoespirometria que, além de avaliar a capacidade reserva funcional do sistema cardiovascular e respiratório, fornece compreensão mais abrangente das respostas clínicas, eletrofisiológicas e hemodinâmicas quando comparadas à ergometria convencional, tornando-se assim arma propedêutica não invasiva de grande importância na análise de indivíduos normais ou de pacientes com comprometimento cardiovascular e/ou pulmonar. Por essas razões ela tem sido usada não só em pacientes com baixa capacidade cardiorrespiratória, mas também em atletas de diferentes modalidades esportivas. Além do caráter prognóstico e mesmo diagnóstico de patologias relacionadas ou não ao sistema cardiorrespiratório, a ergoespirometria possibilita a prescrição precisa e segura de treinamento físico para pacientes cardíacos, sedentários e atletas de alto nível.

Sabe-se que a preocupação do binômio exercício x saúde, fundamentado na observação e na experimentação, vem desde a Antiguidade por intermédio de médicos famosos da época, como Hipócrates (460-377 a.C.) e Galeno (131-201 d.C.). Em 1869, o livro do professor de fisiologia do College of Physicians and Surgeons, na cidade de Nova York, J.C. Dalton, chamava a atenção para os efeitos nocivos da falta de uso muscular, afirmando que o exercício físico de intensidade moderada, realizado de forma regular, tinha influência benéfica na saúde. No entanto, uma das primeiras fontes da fisiologia do exercício veio pela publicação de um renomado médico fisiologista norte-americano, Austin Flint Jr. Entre outras coisas, ele descreveu a influência da posição do corpo, da idade, do sexo e do exercício sobre a freqüência de pulso, a influência da atividade muscular sobre a respiração, além da influência do exercício muscular sobre a eliminação de nitrogênio. Muito importante foram também as medidas antropométricas e de força, publicadas por Hitchcock et al.

Desde 1929, tem-se tentado avaliar a capacidade funcional do indivíduo. No entanto, apesar de o consumo de oxigênio ser um índice objetivo do grau do esforço realizado, ele só foi considerado nos protocolos de esforço a partir de 1955, quando as técnicas de medidas de gases tornaram-se disponíveis. Em 1964, Wasserman et al. foram os primeiros a introduzir o termo limiar anaeróbio ventilatório durante exercícios em diversas cardiopatias.

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