Falta de sol pode causar depressão no inverno, diz pesquisa


Thais Sabino, Portal Terra

SÃO PAULO – Aquela preguiça de sair do sofá, de levantar da cama ou de fazer qualquer esforço físico no frio não é à toa. Ela tem uma explicação científica e pode ser sintoma de início de depressão. O motivo para toda esta indisposição é um hormônio conhecido como melatonina. A substância é produzida, principalmente, durante a noite ou na ausência de luz. Quando amanhece ou quando o sol aparece, a produção é interrompida. O hormônio proporciona relaxamento corporal, cansaço e sonolência, e é aí que vem a explicação para a maior indisposição nos dias de inverno, em que, muitas vezes, o sol mal sai de trás das nuvens. “Em lugares em que no inverno o dia é muito curto, quase sem luminosidade, o indivíduo vai ficando cada vez mais oprimido e pode ter uma depressão de inverno”, disse José Hamilton Vargas, da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Segundo ele, o risco para a doença é grande, pois a pessoa cansada envia mensagens de estresse ao cérebro, o quadro se agrava com o passar do tempo, e pode se estender mesmo após a mudança de estação. “Sem luz, o cérebro para de produzir energia, é como se ele recebesse um sinal de que ele poderia hibernar.”

Outro motivo para a depressão de inverno, segundo Carlos Navas, professor do Laboratório de Ecofisologia e Fisiologia Evolutiva do departamento de Fisiologia da USP, é que no frio as pessoas tendem a ficar mais tempo entre muros. “Para isso existe até a expressão Cabin Fever , termo usado para um tipo de claustrofobia em que uma pessoa ou grupo passa um período longo em ambiente fechado sem nada para fazer “que é um problema psicológico sério para muita gente e faz a vida no inverno muito complicada para uma parcela da população”, afirmou o fisiologista. As consequências podem ser excesso de sono, indisposição, irritabilidade, estresse e ansiedade.

A boa notícia é que a sensação não é tão sentida no Brasil, pelo menos, nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, que estão distante dos polos, no inverno, e onde não há mudança drástica na duração entre o dia e noite. O psiquiatra Vargas afirma que no Sul e Norte a tendência de depressão nesta estação do ano já é maior. “Existem países que no inverno a luz do dia dura apenas algumas horas e, no verão, ela permanece às vezes até a noite, quanto maior for esta mudança, mais chances o homem tem de ficar depressivo”, disse. Por isso, estados mais próximos aos polos têm mais chance de sofrer de depressão de inverno.

O Alasca é um exemplo para este fenômeno, segundo o psiquiatra. Para lutar contra o problema, Vargas afirma que países polares usam uma lâmpada de 2 mil unidades de luz – cerca de dez vezes mais forte que a usada para iluminar ambientes no Brasil na substituição da luz solar. “As pessoas ficam expostas 15 minutos de manhã e mais 15 no final do dia”, disse. Por aqui, Vargas diz que não é preciso passar horas queimando a pele embaixo do sol, a não ser que a intenção seja ganhar um bronze do verão, basta deixar que a luz penetre pelos olhos até a glândula que produz a melatonina seja regulada e interrompa a produção da substância.

O hormônio é tão importante que, segundo o psiquiatra, já existem remédios para depressão a base de melatonina. Vargas chama a atenção para quem troca o dia pela noite. “As pessoas que dormem de dia e ficam acordadas durante a noite colocam o organismo sob estresse e podem ficar com alteração de humor, ansiedade e mais cedo ou mais tarde este indivíduo vai adoecer.” Além disso, o sol é o que estimula a produção de vitamina D, essencial para evitar osteoporose.

Comportamento animal

A história dos ursos que montam uma reserva de alimentos no verão e vão para cavernas no inverno, onde passam meses descansando, também tem ligação com o inverno. Não só os homens, mas os animais também se comportam diferente de acordo com o clima e luminosidade de cada estação, de acordo com Carlos Navas. Segundo ele, em temperaturas extremas, algumas espécies “podem ficar com movimentação limitada, ou, no outro extremo, podem sofrer pelo sobreaquecimento (…). O sistema nervoso pode sofrer nos dois casos”, disse.

O fisiologista afirmou que a falta de sol no inverno causa indisposição nos animais, como nos homens. “Muitos animais e humanos privados de ciclos de luz passam a ter ritmos de comportamento muito alterados. Além disso, Navas explica que para cachorros, gatos, humanos e mamíferos em geral, o frio está associado a um maior custo de se manter quente, e a necessidade de mais energia para isso. “Assim, um comportamento geral em muitos mamíferos é procurar um abrigo apropriado e ficar inativo.

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