Seleção feminina de Basquete se prepara com estrutura nunca vista


Helen Luz

Uma mesa cheia de copinhos de caldo de cana, cada um com o nome de uma jogadora, enche Helen Luz de satisfação. É claro que qualquer atleta da seleção brasileira feminina de basquete pode ir à feira, pedir um copo de garapa e escrever seu nome nele com uma caneta apropriada. Mas o refresco representa para Helen o símbolo de uma mudança na seleção, que agora conta com uma nutricionista.

E não é só isso: a equipe tem à disposição duas fisioterapeutas, fisiologista, massagista, psicóloga e ginecologista. “Em todos os meus anos de seleção, nunca tivemos uma estrutura dessas”, disse a armadora, que só agora, aos 37 anos, soube que um copinho de garapa após o treino é bom para repor as energias. Ela foi convocada para a seleção adulta pela primeira vez em 1991.

As atletas de vôlei do Osasco foram apresentadas ao caldo de cana em 2005, quando Mirtes Stancarelli, nutricionista que agora presta serviços à CBB, testava lá. “Nunca recebemos esses cuidados. Havia um só fisioterapeuta e nem sempre estava à nossa disposição”, disse Helen. Os principais adversários do Brasil, como Estados Unidos, Austrália, Rússia e Espanha, contam há muito tempo com esse tipo de retaguarda. Mas a evolução, mesmo que da idade da pedra lascada para a idade da pedra polida, não deixa de ser uma boa notícia.

Com o sentimento de que finalmente estão recebendo da Confederação Brasileira de Basquetebol (CBB) o tratamento que merecem, as jogadoras estão retribuindo com dedicação aos treinos. Nesta sexta-feira, depois de uma hora e meia de trabalho, as atletas ainda estavam ligadas nas determinações do técnico Carlos Colinas. “E olha que hoje é sexta-feira, hein?”, brincou Helen, referindo-se ao dia da semana em que a imensa maioria dos brasileiros pisa no freio em suas atividades profissionais, já com os planos voltados para o fim de semana.

Esse nível de dedicação já leva a veterana a acreditar em pódio no Mundial da República Checa, em setembro. “Não podemos nunca colocar como meta a repetição do resultado da competição anterior. Temos sempre de buscar uma melhora. Se ficamos em quarto lugar no Mundial de 2006, não podemos almejar menos do que um dos três primeiros lugares”, enfatizou Helen. Pretensão e caldo de cana não fazem mal a ninguém, alguém poderia dizer. Afinal, o Brasil ficou em 11.º nos Jogos de Pequim, em 2008.



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